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domingo, setembro 05, 2010

Zé Roberto repudia 'apadrinhamento' e pede paciência e carinho com as levantadoras

   

Fonte: Blog Bruno Voloch

A seleção feminina se apresenta em Saquarema para a última fase de treinamentos antes do campeonato mundial do Japão. Em entrevista ao blog, o treinador José Roberto Guimarães, disse que vai esperar até a data limite pela recuperação de Paula Pequeno, afirmou que Jaqueline é uma das jogadoras mais importantes na atualidade, criticou os métodos de classificação para o Grand Prix e pediu paciência e carinho com as levantadoras Dani Lins e Fabíola. Segundo Zé Roberto, para ser campeão mundial, o Brasil terá que ser versátil e não contar somente com 06 jogadoras.

Você consegue encontrar alguma explicação para os casos da Mari e da Paula?  
Não. Mas também não acho que tenha sido mau-olhado em relação às jogadoras. Simplesmente aconteceu. Foi realmente muita falta de sorte perder duas atletas tão importantes na fase final de um campeonato tão difícil como o Grand Prix.

Você acha que a Paula estará no mundial?
A Paula sempre foi uma guerreira e espero que sim. Geralmente ela se recupera antes do tempo previsto, essa é a nossa esperança. Mas vou esperar pela Paula até o último momento, ou seja, a nossa data limite. Se der, ótimo, caso contrário vamos valorizar o grupo que representará o Brasil.
E como foi a perda da Mari? O que significa?
A Mari é uma jogadora espetacular e foi uma perda enorme. Mas precisamos aprender a nos preocupar com o ser humano Mari primeiramente e não com a jogadora Mari. Minha preocupação sempre foi a integridade física dela e de qualquer outra jogadora. Ela é jovem e vai dar a volta por cima, tenho certeza. Tinha muita esperança que ela não tivesse rompido, mas agora é se concentrar na recuperação dela e a Mari estará sempre com a gente.

Sem a Mari e não podendo contar com a Paula você vai escalar a Natália?
A Natália já está sendo preparada faz tempo. Engana-se quem pensa que ela não treina passe na seleção. Ela e a Joycinha sempre treinou passe e vão continuar treinando. A Natália tem um potencial espetacular e se for escalada vai dar conta do recado. Mas não podemos jogar a responsabilidade e toda a carga de um mundial em cima dela. Isso seria injusto e prejudicial para a atleta.

A Jaqueline seria a outra ponteira?
Sim. A Jaqueline é uma jogadora fundamental no esquema da seleção. Ela foi muito bem no ataque, dá volume de jogo e equilíbrio no passe.

O que esperar da Fernanda Garay?
Espero que ela possa se dedicar e aproveitar a chance de treinar novamente na seleção. Nós conhecemos a Fernanda que esteve com a seleção no ano passado, mas agora as circunstâncias são diferentes. O tempo é curto e não daria para observar mais jogadoras, por isso a Fernanda foi chamada.

Quais os fundamentos que a seleção precisa evoluir para o mundial?
A defesa. Precisamos defender mais no mundial. Mas no geral, penso que a seleção foi bem no Grand Prix. O que vamos precisar entender é que todas as jogadoras são importantes e precisam estar preparadas para jogar. Não se ganha o mundial com 6 atletas e na seleção vai jogar quem estiver melhor.

Porque você diz isso?
Li que você escreveu que a Natália rende mais quando começa jogando e não quando entra durante as partidas. Não pode e não será assim. A jogadora precisa render o mesmo jogando de cara ou substituindo uma companheira. Imagina se eu só puder contar com atletas que joguem desde o início? Não dá. Isso não existe. Quero e preciso ter um grupo versátil nas mãos e as jogadoras podendo ser aproveitadas em diversas posições, duas pelo menos. A jogadora precisa brigar para ser titular e não se acomodar.

E o que existiu de verdade sobre a volta da Fofão?
A Fofão teve a chance de voltar e não quis. Hoje não daria mais. Estaria indo contra os meus princípios.

Por falar em levantadora quem é a titular no momento?
A Fabíola está um degrau acima. A Dani precisa correr atrás e não que ela esteja desmotivada, pelo contrário. Mas é uma briga leal e dentro de quadra. Fora de quadra as duas se ajudam bastante e uma incentiva a outra. Se não gostasse da Dani como muitos dizem, não teria convocado.

E porque a Fabíola é titular então?
Como disse antes, ela está um pouco na frente da Dani apenas. A Fabíola subiu muito de produção, tem força de vontade e tem a incrível capacidade de chegar de toque em todas as bolas. É raro ver a Fabíola levantar de manchete. Poucas vezes vi uma levantadora chegar tão inteira nas bolas e ela tem essa vantagem. A seleção e especialmente as duas levantadoras necessitam de muito carinho e a gente precisa ter paciência com elas.   

E a história do 'apadrinhamento' da Fabíola?
Você me conhece e sabe que isso não acontece. O Paulo Coco e o Claudinho são importantes na comissão, me ajudam bastante, mas a decisão é minha. Jamais colocaria uma jogadora para jogar por 'apadrinhamento'. Fico triste que ex-jogadoras pensem assim.

O que você achou da convocação da Carolina Costagrande na Itália?
Ótimo para elas. Trata-se de uma bela jogadora, quase completa. Certamente a Itália ficará ainda mais forte com a presença dela em quadra.

E quem sai para ela jogar?
A Piccinini.

Você fez várias críticas ao Grand Prix. Pensa em jogar ano que vem?
Sim, mas muita coisa precisa mudar. Não dá para jogar 5 jogos em 5 dias, isso é desumano com o atleta. E outra coisa. O nosso classificatório para o Grand Prix tem que ser jogado na América do Sul e não na Copa Pan-Americana. O Brasil faz parte da América do Sul.  Esse tal de Cristóbal da Norceca e da República Dominicana pensa que manda e desmanda, mas não será assim com o Brasil. Ele que nos trate com mais respeito. Se tiver que jogar com juvenil novamente, vamos jogar. Até que eles mudem esse critério absurdo de nos colocar na América Central.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Estevam e José Roberto Guimarães selam amizade e desejo de sucesso



Após trabalho lado a lado em Saquarema, técnicos de Botafogo e seleção brasileira feminina de vôlei trocam experiências e revelam admiração mútua.

Fonte: Gustavo Rotstein Saquarema, RJ

“Botafogo, Botafogo campeão...”, cantou José Roberto Guimarães ao receber de Estevam Soares uma camisa do Alvinegro. Mas nem precisava disso, para ficar claro que o técnico duas vezes campeão olímpico e a seleção brasileira feminina de vôlei agora também torcem pelo clube. Depois de quatro dias de convivência no centro de treinamento de Saquarema, a proximidade entre as duas delegações transformou-se numa rica troca de experiências e de amizades.

A convite do GLOBOESPORTE.COM, Estevam Soares e José Roberto Guimarães se reuniram para um bate-papo, no qual falaram, com exclusividade, sobre suas impressões em relação ao esporte, à vida nas competições e aos altos e baixos. O técnico do Botafogo, que neste domingo tem a missão de comandar a reação da equipe no Campeonato Brasileiro, no clássico contra o Fluminense, destacou o espírito vencedor que ronda aquela que foi a concentração alvinegra nesta semana. Espírito vencedor este que o treinador do vôlei ajudou a construir e agora busca transmitir aos novos colegas.

Com fortes raízes em Barueri, de onde Estevam Soares saiu para treinar o Botafogo, o são-paulino José Roberto Guimarães passou uma mensagem de otimismo (assista ao vídeo ao lado), depois de destacar a importância do intercâmbio que uniu diferentes realidades que têm em comum o sucesso como principal objetivo.

Como foi a convivência no mesmo local de grupos e esportes distintos?

ESTEVAM SOARES Muito saudável. É uma felicidade para o Botafogo estar aqui neste paraíso do vôlei. A estrutura e a organização do centro de treinamento mostram por que este esporte é destaque no mundo. Tem sido bacana acompanhar os treinamentos e observar outro tipo de trabalho.

JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES Para nós também é importante essa comunicação. Apesar de serem esportes diferentes, nós trabalhamos com seres humanos. A integração entre futebol e vôlei é muito saudável, pois podemos trocar experiências e tirar coisas boas. Conversamos sobre passado, momento atual e futuro de Botafogo e seleção brasileira. Não pudemos assistir aos treinos deles, mas eles acompanharam nossas atividades. Também fizemos musculação juntos.

Após bate-papo, Estevam presenteia José Roberto com uma camisa do Botafogo?

ESTEVAM Notamos a simplicidade de um esporte tão vencedor. A diferença é que o jogador de futebol é muito mimado. No vôlei também existe a carência, mas a responsabilidade é diferente. O futebol é mais paternalista, e as meninas aqui tomam conta do seu material, levam os uniformes na rouparia, enquanto existe sempre alguém para fazer isso para os atletas do futebol. A Fabi me disse ter ficado impressionada com o nosso staff. Às vezes o vôlei fica seis meses concentrado. Essa entrega serve de exemplo.

JOSÉ ROBERTO É legal isso de um querer saber do outro: como cada um vive, qual é a realidade, os comportamentos... O intercâmbio favorece muita coisa.

Estevam, o que mais lhe chamou atenção nestes dias de refúgio no centro de treinamento do vôlei?

Estou acostumando a fazer pré-temporada em quase todos os centros de treinamento de São Paulo, mas este local é mágico. Além da estrutura, existe uma aura de vencedor. Aqui há frases e fotos que mostram isso.

JOSÉ ROBERTO Por onde você anda tem algo que faz lembrar alguma vitória...

ESTEVAM Isso é importante, porque você vê campeões em todos os lugares. Talvez seja o que o Botafogo esteja precisando. Pelo momento que vivemos, é bom o grupo olhar e se mirar em vitórias.

Das experiências trocadas, observaram algo que pode ser aplicado nas suas atividades?

JOSÉ ROBERTO Vi a integração dos preparadores físicos do vôlei e do futebol, conversando sobre o que pode ser aplicado. Inclusive, tivemos num treino nosso o empréstimo de um preparador do Botafogo que foi jogador de vôlei (Marlos Almeida). O Estevam e eu falamos de relacionamentos, de pessoas, do emocional e do comportamento. Os outros profissionais falaram mais de trabalho e do que pode ser usado em cada esporte.

ESTEVAM Numa conversa, a Fabi me perguntou se eu participava tanto dos treinos quanto o Zé Roberto. Eu disse a ela que não dá, pois não temos muito tempo para isso. Sou participativo, mas vi o Zé dentro da quadra, e, por estar com poucas atletas, até levantando bolas. No futebol não existe essa participação direta.

Depois do exemplo, vai arriscar mais chutes no campo?

Isso eu deixo para o meu auxiliar (Gérson Sodré). Meu joelho não ajuda...

Qual é a relação de Estevam Soares com o vôlei e de José Roberto Guimarães com o futebol?

ESTEVAM Meu primo Hernani foi jogador de vôlei. Zé, sabia que eu fui campeão infantil de vôlei dos jogos colegiais de São Paulo em 1970, por Cafelândia, minha cidade? Era só defesa de manchete!

JOSÉ ROBERTO Para mim, inicialmente vôlei não existia. Era só futebol. Na primeira vez que entrei numa quadra, o professor logo me tirou e disse: “Sai, porque seu negócio é futebol. Você passa tudo de segunda!” Assim começou minha história no vôlei. Venho de uma família de jogadores de futebol. Meu primo jogou na Ferroviária, e meu irmão jogou no Corinthians até os juniores. Futebol é uma religião para mim. Gosto de ir ao estádio e conheço os jogadores.

ESTEVAM O vôlei é apaixonante. Impressiona a forma como cresceu, passou o basquete e hoje é o esporte número dois dos brasileiros.

JOSÉ ROBERTO Para nós é o contrário, o futebol é nossa paixão. A gente gosta muito do que faz, mas todos nós temos um time.

Após essa convivência, dá para dizer que a seleção brasileira é também Botafogo?

JOSÉ ROBERTO A gente que vive no esporte torce muito por pessoas. As meninas disseram que o Estevam é muito interessado. Rapidamente ele fez amizade com elas, e não tenho dúvidas de que torcerão por ele a partir de agora, apesar de terem seus clubes de coração.

ESTEVAM O esporte é isso, você torce pelos amigos. O Zé Roberto é são-paulino, mas creio que vai torcer pelo Botafogo no domingo. E eu torcerei ainda mais pelo Brasil depois dessa nossa convivência.

No comando das seleções brasileiras masculinas e femininas, José Roberto Guimarães viveu bom e mau momento. Baseado nessas experiências, o que você diria a Estevam Soares nesta fase difícil que o Botafogo vive?

Notamos a simplicidade de um esporte tão vencedor. A diferença é que o jogador de futebol é muito mimado"

JOSÉ ROBERTO Vejo na adversidade uma grande oportunidade. O momento é importante, e existe a chance de mudar toda a história. Ela precisa ser aproveitada agora. O time do Botafogo é bom, e o pessoal é tranqüilo para se trabalhar, mas tem sofrido gols durante alguns apagões. Já vi isso acontecer com meus times de vôlei no masculino e no feminino. Dependem de eles mudarem tudo isso com muita concentração.

ESTEVAM Zé lembro que você passou por um momento difícil numa Olimpíada...

JOSÉ ROBERTO Foi a semifinal dos Jogos de 2004. Vencíamos a Rússia por 2 sets a 1, com 24 a 19 no quarto set. Aquele foi um marco nas nossas vidas. A partir de então, refizemos tudo. Os jogadores do Botafogo precisam entender a importância de estarem concentrados aqui e que muita coisa ainda pode mudar, pois faltam 15 rodadas para o fim do Brasileiro.

ESTEVAM É o que tenho falado para eles. O grupo tem qualidade e está respondendo ao trabalho. Tenho batido na idéia de que vamos dar risadas desses momentos difíceis. Não é fácil trabalhar com sete jogos sem vitórias. Depois daquela Olimpíada, o vôlei ficou quatro anos esperando uma nova oportunidade. É preciso acreditar.

Estevam, este é um assunto a ser abordado diariamente com os jogadores?

Tenho falado com eles sempre, a cada treinamento. É homeopático. São jovens... Aliás, fiquei impressionado ao ver a Natália treinar aqui outro dia. Ela está caminhando para ser a melhor do mundo, Zé...

JOSÉ ROBERTO Falo que ela tem talento e só depende dela. A gente pode indicar o caminho e trabalhar, mas o que existe dentro dela é o que fará com que seja melhor ou pior.

ESTEVAM É preciso conversar sempre. Achei que fosse mais ao futebol, mas o Zé disse que no vôlei também existe o deslumbre. Aí chega o momento de a gente acalmar, porque são seres humanos.

Vocês se aproximaram nos últimos dias e mostrou torcida mútua, mas José Roberto acompanhava Estevam Soares a algum tempo, desde quando o técnico do Botafogo ainda era jogador do São Paulo, em 1977...

JOSÉ ROBERTO Recentemente eu torci por ele quando fui ver um jogo entre Barueri e Palmeiras, mas ainda não havia tido a possibilidade de sentar e conversar com o Estevam, como agora.

ESTEVAM Quando ficou acertado que o Botafogo vinha para Saquarema, esperei o momento de conhecer o Zé pessoalmente. É uma troca importante.

JOSÉ ROBERTO É importante aproveitar o momento e assimilar o que os outros têm a dar. O Estevam tem paciência e é um cara inteligente acima da média. Foi muito legal ver como é sereno e tranqüilo na maneira de pensar. Se o Botafogo conseguir assimilar essa dedicação, tem tudo para dar certo. Fiquei bravo quando você saiu do Barueri (risos)!

ESTEVAM Uma vez, um técnico amigo meu disse que precisamos estar próximos das pessoas do bem, e o Zé Roberto é esse cara. O semblante dele passa essa coisa boa.

terça-feira, setembro 08, 2009

José Roberto Guimarães se preocupa com futuro de Natália, fala da situação de Dani Lins e afirma que futuro da seleção masculina é bem mais tranqüilo.

Essa semana a seleção feminina vai brigar por mais um título na temporada 2009. O Brasil jogará o Final Four contra Peru, Estados Unidos e República Dominicana. A seleção será dirigida pelo assistente técnico Paulo Cocco, já que Zé Roberto ficará em Saquarema treinando as “intocáveis” para o sul-americano no fim do mês. Nessa entrevista ao blog, Zé Roberto fala do desempenho da levantadora Dani Lins no Grand Prix, das futuras experiências que vai fazer, afirma que Natália é hoje titular da seleção brasileira, explica em que condição Paula Pequeno retorna ao grupo e comenta sobre a ausência de Jaqueline. Além disso, diz que o caminho da seleção feminina não será assim tão fácil e que a seleção masculina sim, tem “caminho livre” pela frente.

Blog: Como foi o desempenho da Dani Lins?

Zé Roberto: Ela sabia da responsabilidade que teria de substituir a Fofão e não é fácil. A Dani Lins me surpreendeu em alguns aspectos. Mostrou muita atitude, é uma levantadora de ótimos gestos e sempre disposta a aprender. Simples e com uma humildade incrível.

Você diria que ela está pronta?

Lógico que não. Ela tem muita ainda para evoluir, mas se mostra disposta a isso.Ela por exemplo precisa parar de se preocupar em “arrumar” de mais a bola de casa atacante.As vezes não dá para levantar na pinta e as jogadoras de ataque precisam se virar.A Dani tem a preocupação de ficar se desculpando o tempo inteiro e não é assim. Ela ainda vai aprender a distribuir melhor as bolas e não “respeitar“ demais certas atacantes.

Hoje a Dani é titular da seleção?

Sim de momento, mas definitivo não. Mas ela está no caminho certo. E olha que nosso passe foi ruim durante o Grand Prix e a Dani sofreu para arrumar essa situação.

E o que dizer então da Ana Tiemi?

A Ana fez o que deveria ser feito. Ela é muito inteligente, acima da média.Tem uma bola de primeiro tempo muito boa, velocidade de mão que me impressionante, além de bloquear com muita eficiência e defender bem.

Porque você convocou então a Fabíola e não a Fernandinha?

É o processo natural e avisei que faria isso. A Fabíola terá a chance dela agora no final four. Tem habilidade e precisa aproveitar a oportunidade. Sobre a Fernandinha, acho que ela precisa confiar mais nas pessoas.

Como assim confiar nas pessoas ?

É simples. Essa história de que a levantadora vai fazer o que tiver na cabeça não é bem assim. Ela disse ( entrevista concedida ao blog ) que não gosta dos treinadores ao lado dela o tempo inteiro passando o que ela deve fazer. Concordo em parte. Mas se o técnico está do lado de fora observa melhor e é obrigado a ajudar a levantadora ou qualquer jogadora sim. as isso ela disse porque passou uma situação ruim com alguns profissionais e talvez tenha criado um trauma. Mas as portas estão ainda abertas, desde que ela entenda como vai funcionar.

A Sheilla disse ao blog que a Natália pode ser uma das melhores do mundo em breve. Você concorda?

Pode sim. A Natália tem muito talento, uma perna rápida demais e uma velocidade de reação fora do comum, poucas vezes vista no vôlei feminino. Ela tem os movimentos perfeitos, mas precisa aprimorar o passe e a defesa. Fora isso é muito forte fisicamente e tem um ótimo posicionamento de bloqueio.

O que falta ainda na Natália?

O vôlei brasileiro é carente de ponta passadora e se ela treinar muito passe será peça fundamental. Treinando a recepção e se continuar se dedicando a esse fundamento sem esquecer os demais, vai sem dúvida ser uma das melhores jogadoras do mundo em pouco tempo.

No clube ela joga de oposta e na seleção de ponta. Isso pode atrapalhar?

Sim e como. Preocupa demais. Se pudesse escolher, pediria para a Natália só jogar de ponta. Isso seria o ideal, mas o clube precisa dela na saída de rede, ou seja, é complicado. A Mari sofreu com isso e para a cabeça da jogadora isso não é bom mesmo. Complica. O que não pode é ela chegar em Osasco e parar de treinar passe só porque ela vai jogar de oposta. Aí ela se complica.

E o que você espera da Paula?

A Paula se mostrou interessada, me ligava para saber da programação. Ela está voltando de contusão, terá uma temporada dura na Rússia e precisa ser analisada.

A Paula hoje seria titular da seleção?

Não. Hoje a Natália seria a titular numa ponta e a Mari na outra.

Entre as 12 ela estaria então?

Só o tempo vai dizer, mas ela tem serviços prestados, porém preciso ver como ela vai voltar e com que espírito. Mas não posso esquecer a Sassá e sua importância dentro do grupo. Ela dá um equilíbrio muito grande no passe, saca bem e é uma alternativa de ataque diferenciada pela sua habilidade.

E a Jaqueline? Ela ficou de fora...

A Jaqueline é outro caso, outro assunto. Ela pediu para ficar de fora por causa de compromissos pessoais. Liberei sem problemas. Tem talento, mas vai precisar correr atrás e esse ano provavelmente não volta mais.

Os especialistas dizem que o Brasil ganhou o Grand Prix com tranqüilidade. O que você acha?

Não é bem assim. Ganhamos no sufoco, mas com méritos. Foi um Grand Prix muito desgastante em todos os aspectos, especialmente no físico. Mas não estamos tão assim na frente das outras seleções como vocês dizem.

Quais as seleções que podem jogar de igual para igual com o Brasil?

A Rússia vai incomodar muito, pode escrever. A Gamova está jogando bem novamente, e existem duas jogadoras muito fortes tecnicamente. A Kosheleva e a Makarova. Vai sempre ser um adversário duríssimo. Ganhamos delas como poderíamos ter perdido. A Itália se passar nesse europeu vai estar na Copa do Mundo e certamente também vai dar muito trabalho. Rinieri, Picci, Aguero, Ortolani, enfim o time está muito forte, mais do que na Olimpíada de Pequim. Espere para ver. Isso sem falar na Holanda, Sérvia e a China.

E Cuba sumiu. Você sabe de alguma coisa?

Acho que o Fidel deu alguma ordem ou determinação para elas sumirem e a mídia não divulgar nada sobre a seleção. Fico preocupado. Quando elas voltam aparecem com novidades e surpresas desagradáveis. É bom ficar de olho.

A Fabi foi criticada nesse Grand Prix. O que aconteceu com ela?

Ela de fato poderia ter jogado melhor, mas esteve no nivel. A Fabi teve um problema no tornozelo sério e isso atrapalhou a vida dela no Grand Prix. Fora isso sem a Sassá e o esquema de jogo atual da seleção com a Mari e a Natália, ela fica muito sobrecarregada no passe. Precisa assumir de fato o fundo de quadra. Mas é uma menina de personalidade e que tem a confiança do grupo no momento.

E porque você não usou a Camila?

A Camila é muito jovem ainda e poderia queimar a jogadora. Mas tem futuro, sem dúvida. Precisa ser usada na hora certa, só isso.

Nossas centrais, Thaisa e Fabiana são as melhores do mundo hoje em dia?

Não gosto de as melhores do mundo. Acho que a Thaisa e a Fabiana estão entre as 5 melhores na atualidade.

Podemos ter novidades em breve na seleção?

Gostaria muito de poder ver a Ivna da seleção juvenil em ação, mas ela está se recuperando de uma operação no joelho. Essa Natália, meio do São Caetano é muito interessante. Vai dar trabalho. A Adenízia quando foi preciso entrou bem e deu conta do recado. Temos a Lia que é canhota, joga na saída de rede, bloqueia e saca um viagem muito bom. Vamos observar essas e outras meninas nesse final four.

E o que você pode falar sobre a masculina como amante do vôlei ?

É uma geração muito forte. Vejo em destaque o Vissoto, Lucas, Bruno e o Thiago Alves. Algumas seleções mudaram muito como os Estados Unidos. A Sérvia está com o time envelhecido e a Bulgária é sempre uma pedra no sapato do Brasil. Falam muito da Rússia, mas com o levantador atual não ganha do Brasil e campeonato nenhum. O Brasil não tem adversários de nível e caminho livre para renovar e ganhar.

O que você quer dizer com isso?

Que o caminho do masculino sem dúvida é bem mais fácil que o nosso. É só ver as dificuldades do Brasil na Liga Mundial e a nossa no Grand Prix. Os dois ganharam, mas nós tivemos muito mais dificuldades do que eles.


Por Bruno Voloch às 09h00

terça-feira, setembro 01, 2009

Progama Bem Amigos! (Sportv): José Roberto Guimarães

José Roberto Guimarães elogia sensibilidade de Sheila, e talento de Natalia

José Roberto Guimarães: “Não volto a dirigir o vôlei masculino”

José Roberto Guimarães: “A meu ver, a escola de voleibol brasileira é a melhor do mundo”